A nova mpb – um panorama atual

Marina Assis

A mpb distingui-se por sua riqueza. Sua historia começa com a historia do descobrimento do Brasil. Aqui habitavam os índios com seus instrumentos rudes como a flauta e o bambu, os portugueses que aqui ancoraram trouxeram cantores e tocadores de viola, os negros vindo da áfrica deixaram aqui seus mais variados ritmos. Surge assim a MPB.

Das composições clássicas, a Bossa Nova, e até as batidas do samba e do eletrônico.

O lundu era uma música usada pelos escravos, de característica cômica e dançante, que era cantada na corte portuguesa. Depois veio a modinha, canção romântica que se tornou bastante popular, cantada em salões brasileiros onde aconteciam as festas da corte.

A música popular brasileira desenvolveu-se e reuniu instrumentos europeus e tradicionais como o piano, o violão, e a flauta. Após ser tocada em estações de rádios, a música popular brasileira passou a ser um poderoso meio de comunicação de massa. Que revelou vários compositores como Noel Rosa, Lamartine Babo e Ary barroso, entre outros.

O clássico, Garota de Ipanema foi o primeiro hit internacional que surgiu do movimento da Bossa Nova, e deu a fama merecida dos compositores Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

A “Bossa Nova” surgiu no Rio de Janeiro, no final da década de 50 e misturou-se a batida do samba brasileiro e ao Jazz americano. Mais tarde, a Bossa Nova transformou-se na marca do novo conceito musical, em que a letra tem grande importância. Associando grandes poetas a grandes compositores: Vinicius de Moraes, Luiz Bonfá, Chico Buarque, Tom Jobim, Baden Powel.

Durante o período da ditadura, das guerrilhas urbanas e da ansiedade em torno de como mudar o sistema político, surgiram os Tropicalistas – Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal costa. O Tropicalismo pode ser descrito como uma mistura de música internacional (balada latina e o rock’n roll) com ritmos nacionais. É original, lírico, inteligente, com andamentos mais acelerados e ritmos ricos.

A indústria do som estimulada pelas novidades dos festivais de rock ao ar livre direcionou seus investimentos para a área do instrumental eletrônico e para os equipamentos sonoros. Os efeitos de ocupação dos meios de comunicação pelas modas musicais produzidas fora, tornaram-se mais fortes ainda após os festivais de rock feitos no Brasil, a partir de 1985. Dominado o mercado brasileiro por ritmos e estilos internacionais, aparecem o reggae e o funk da virada das décadas de 1960-70, o heavy-metal, o punk e o new wave dos anos 70, e, já na década de 1980, o tecno-pop, o break, o rap e o hip hop. Com exceção dos gêneros chamados sertanejos, as músicas de época, como as de Natal, São João e de Carnaval, e sambas urbanos da periferia, chamados de pagode ou eventuais explosões de um ou outro gênero de música brasileira genuína, as criações da década de 1980, principalmente durante o carnaval baiano, vem comprovar a penetração de ritmos internacionais no cenário nacional; os ritmos caribenhos como o merengue, a salsa e o reggae, e mesmo a lambada, a dança da galinha ou do pezinho.

O tropicalismo teve papel importante, aceitando a jovem guarda na mesa de debates. Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléa e outros artistas puderam, enfim, ser admirados longe dos preconceitos da classe pensante. Influenciada pelo tropicalismo, a geração que se lançou depois incluía Fagner, Alceu Valença, Elba Ramalho, Zizi Possi, Fafá de Belém, Luiz Melodia, Suely Costa, Simone, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fátima Azevedo, Fátima Guedes, Xangai e Elomar, entre outros.

A música instrumental, com o aval americano a nomes como Laurindo de Almeida, Bola Sete, Eumir Deodato, Donato, Sivuca, Hermeto Paschoal, Oscar Castro Neves, Egberto Gismonti, Cláudio Roditi, Airton Moreira, Naná Vasconcellos, Leo Gandelman, Helio Delmiro, Toninho Horta, Ivo Perelman, Dori Caymmi, Ricardo Silveira, Romero Lubambo, vem ganhando o mundo.

No início dos anos 90, deu-se a chamada “nova mpb”, e vem acontecendo em meio muitas críticas e críticos. Alguns afirmam que o novo ritmo é apenas mais um estilo inserido na industria cultural, já que suas letras de musica não possui nenhuma preocupação ideológica
específica, mas outros reconhecem e aprovam a inovação tecnológica da música brasileira, marcada pela individualidade de cada artista.

O cantor e compositor Zeca Baleiro é considerado pela mídia um artista pertencente da nova MPB, mas ele costuma abominar a intitulação. Em uma entrevista para a revista “Isto é Gente”, faz uma crítica aberta à indústria cultural e acredita que a chamada nova MPB é apenas um “rótulo” criado pela mídia, no entanto, elogia a nova geração de artistas.

Já o jornalista Carlos Calado comenta, em uma crítica para site CliqueMusic, que a desgastada MPB pode ser revigorada e soar mais contemporânea ao receber inserções eletrônica eletrônicas. Nem todos os artistas considerados da nova MPB são desconhecidos.
Chico César, Lenine e Zélia Duncan, cantores que já pertenciam a MPB, optaram por renovarem suas músicas a partir dos anos 90, inserindo elementos eletrônicos, como bateria eletrônica, piano elétrico e baixo eletrônico e misturando a música pop. Cássia Eller, Bebel Giberto, Marisa Monte, Maria Rita, Simoninha, Adriana Calcanhoto, Jair de Oliveira, Pedro Camargo Mariano, Luciana Melo, Fernana Porto, dentre outros, fazem parte dessa nova geração.

O Brasil é considerado uma referência mundial em estilos musicais e artistas conceituados.

Os denominados novos músicos da MPB, são uma verdadeira junção do que há de melhor na música popular brasileira com os experimentalismos do século 21.

A música eletrônica dominou por completo a juventude, muitos DJs brasileiros comandam as pick-ups na Europa, e com isso, os novos músicos da MPB antenados no que há de novo no mercado começaram a introduzir em suas músicas arranjos, instrumentos, batidas e bateria denominado Drum‘n’Bass.


A mistura deu certo, hoje não sabemos definir quem foi o idealizador destas junções, mas podemos citar Fernanda Porto, Kaleidoscópio, Jair de Oliveira, Marx de Castro, Wilson Simoninha, entre outros, além de DJ´S que nas baladas introduzem as junções, como Mad Zôo, DJ Patife, DJ Marky, DJ Ramilson Maia, entre outros artistas que vem fazendo grandes sucessos misturando instrumentos acústicos eletrônicos.


O mercado promissor de novos músicos da MPB é tão grande, quanto o sucesso que estes fazem no exterior.

Podemos afirmar que estes novos músicos não são tão novos quanto parecem, alguns iniciaram sua carreira muito cedo, ou seja, nos anos 80, e trazem em sua bagagem cultural tanta novidade e repertório, quanto qualquer músico que se destaca na mídia.

Patrícia Max, Jair de Oliveira, Wilson Simoninha e Max de Castro são alguns dos artistas de grande prestígio internacional e foram elogiados recentemente pela revista semanal Time Out do Reino Unido, e já fazem parte da cena noturna européia com suas misturas impecáveis de batidas suaves e bossa nova.

Manchester, London, Germany, Nova York e Miami são alguns dos roteiros desta nova safra de artistas que vem renovando a MPB.


No Brasil, em todos os momentos, a música marcou sua presença, registrando fatos de maior importância sociológica, destacando tendências e transformações quanto aos ritmos e estilos musicais, permitindo-nos, inclusive, conhecer melhor a sociedade da época.
No mundo pós-moderno em que vivemos, com o avanço da tecnologia e ciência, em que a característica predominante é o neo-individualismo – pensamento individualista das pessoas deste período – conseqüentemente, reflete-se no mundo da música.

A maioria das manifestações musicais de gêneros fáceis, como axé, sertanejo, forró, funk, que são veiculados a grande mídia – os quais a maioria do público possui acesso – apresentam a característica do mundo pós-moderno. Isto porque, o perfil destes trabalhos não possui projetos para o futuro da música e a maioria das letras cultua a própria imagem,
com objetivo de obter sucesso instantâneo.

Essas canções são chamadas de hit parade – uma gíria corporativa que significa canção de sucesso. As gravadoras lançam músicas que possuem um número de sinais que caracterizam um hit, são composições fáceis de serem memorizadas, de ritmo comum e com a finalidade de apenas vendê-la, realizando um projeto publicitário maciço para a canção. Essas músicas tornam-se “onda” e não possuem muito tempo de vida do mercado da música.

A nova MPB surge como um pensamento diferenciado. É a mistura do novo, da tecnologia, com o que passou e ao mesmo tempo é muito presente na nossa música, considerando e ampliando referências.

Algumas gravadoras com a Trama, Jam Music, CPC-UMES (Centro Popular de Cultura da União Municipal de Estudantes Secundaristas), estão lançando CD’S dos artistas da nova MPB. Isso acontece porque geralmente elas não incorrem a imposições de estilo, imagem ou repertório, os quesitos básicos do “movimento”.

No projeto Trama, a produção executiva e a direção artística são responsabilidade da gravadora, enquanto a produção musical, desenvolvimento do álbum, as composições, a personalidade da obra é do artista.


As grandes gravadoras temem lançar um artista desse movimento por buscarem resultados imediatos e vendas milionárias com gêneros fáceis, pois como disse o presidente da gravadora Sony Music no Brasil, José Antonio Eboli em entrevista à Istoé Gente: Essas coisas (gêneros fáceis) tem de existir, mas a indústria precisa se preocupar em criar artistas que tenham mais permanência. Investir em Vanessa da Mata, nova cantora, custa caro e leva mais tempo. Mas ela pode ser a Marisa Monte de amanhã”.


A gavadora Universal Music rendeu-se à indústria cultural lançando grupo de axé “É o Tchan”, o que lhe rendeu milhões em curto espaço de tempo, e apostaram na cantora Cássia Eller, mas o retorno só veio dez anos depois, quando vendeu 500 mil cópias em um disco.

Alguns artistas da nova geração optam pela gravação independente, ou seja, arcam com todas as despesas da produção do CD, devido ao pequeno número de gravadoras dispostas a produzirem estes trabalhos. Estes dizem estarem encontrando facilidades para este tipo de produção. Segundo entrevista de Leoni, ex-integrante da banda Kid Abelha, dada ao site
cliquemusic, o modelo que as gravadoras perpetuaram está desgastado, ninguém mais agüenta artistas fabricados, e com isso conseguem oportunidade.


Um dos problemas que a nova MPB enfrenta é a dificuldade para a difusão de suas músicas. Para executar uma música numa rádio, é necessário que a gravadora pague por isso, e quanto maior for o número de ouvintes, maior é o valor a ser pago.


Sendo assim, não são muitas rádios no Brasil que executam a nova MPB em sua programação. Alguns artistas para produzirem seus cd's em uma gravadora de grande
porte, pois são as que podem pagar as rádios o que pedem, muitas vezes alteram o estilo de seu trabalho para se enquadrarem no mercado da indústria cultural. Mas nem todos estão dispostos a isso, e por isso são considerados “alternativos”.

Muitos perguntam: será uma nova geração de músicos ou uma inovação real na mpb? De qualquer forma, devemos pensar a música em termos sérios, entendo que cada vez mais, a exigência cresce e se há muita mediocridade fazendo sucesso, isto não significa que para se profissionalizar em termos musicais, não haja necessidade de muito estudo e trabalho.

Referências bibliográficas:

Moura, Roberto M. – MPB Caminhos da arte brasileira mais reconhecida no mundo.

Albin, Ricardo Cravo – O livro de Ouro da MPB

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