O hard bop desenvolveu-se nos anos cinqüenta como uma extensão e radicalização do Bebop. Esse movimento teve a participação de vários músicos procedentes de Detroit e Filadélfia. A música que eles tocavam eram um bebop mais evoluído, com harmonias mais avançadas e um domínio que beira a perfeição. Esse estilo teve um período bastante longo no Jazz, o que permitiu transformações.
A natureza do Hard Bop constitui-se ao mesmo tempo de elementos simples e complexos. Os temas normalmente são mais simples que os do Bebop, com linhas melódicas menos angulosas, e os músicos desse estilo em geral interpretam composições próprias e raramente executam standards. São bastante claras as influências de outros estilos como Soul, Gospel e Blues, principalmente nas composições de Horace Silver e Donald Byrd, entre outros. Quanto ao acompanhamento, há maior repetição de acordes, o que acaba incorporando aspectos do Jazz Modal, permanecendo-se mais tempo em cada acorde; há ainda o uso de células rítmicas em ostinato. As estruturas das músicas são mais complexas do que as do bebop (que eram baseadas em canções de 32 compassos com a forma A, A, B, A), e há maior variação rítmica com uso de compassos poucos usados no Jazz; devido a esse fato, baixo e bateria ganham maior liberdade e força, tomando às vezes a condição de band leader, o que não era muito comum nos outros estilos.
A maioria dos músicos do Hard Bop vieram de Detroit ou Filadélfia; abaixo, uma lista de alguns músicos que vieram dessas cidades, e que por um período de suas vidas fizeram parte do Hard Bop (o que não significa que esses músicos são necessariamente somente Hard Bop players):
Detroit:
-
That Jones
-
Hank Jones
-
Elvin Jones
-
Philly Joe Jones
-
Max Roach
-
Paul Chambers
-
Ron Carter
-
Kenny Burrel
-
Donald Byrd
-
Pepper Adams
-
Louis Hays
Fhiladelfia:
-
Clifford Brown
-
Lee Morgan
-
McCoy Tyner
-
Percy Heath
-
John Coltrane
-
Benny Golson
Os anos cinqüenta foram dominados por dois estilos: O Hard Bop e o Cool (West Coast). Abaixo algumas diferenças desses dois estilos:
-
O West Coast foi caracterizado por uma textura clara e leve nos instrumentos de sopros, enquanto o Hard Bop era denso e trazia um timbre mais escuro.
-
Em contraste do leve, cool e improvisações simples e melódicas do West Coast, o Hard Bop era mais pesado e com complexas linhas melódicas na improvisação
-
O West Coast foi inspirado no som e no modo de tocar de Lester Young, Lennie Tristano, Couint Basie, Lee Konitz e Miles Davis enquanto o Hard Bop foi influenciado pelos músicos do Be Bop.
HORACE SILVER
Nascimento: 1928
O principal músico de Hard Bop entre os anos 50 e 60, foi o pianista, compositor e band leader Horace Silver. Depois de tocar nas bandas de Stan Getz e Art Blakey, Silver começou a liderar uma série de quintetos com trompete, sax tenor, baixo e bateria. A maioria de suas composições foram feitas baseadas em seu estilo pianístico com o uso de figuras melódicas “funkeadas” e harmonia inspirada em composições Gospel. Com a mistura do gospel e do funk, o jeito de tocar de Silver tornou-se bastante popular e influenciou vários pianistas de Jazz; durante os anos cinqüenta vários estilistas do piano como Bill Evans, Herbie Hancock, McCoy Tyner e Chick Corea usavam ocasionalmente as figuras rítmicas “funkeadas” de Silver.
Seus solos são iguais as suas composições - surgem de simples idéias, ritmos bem estruturados que são fáceis de lembrar, compondo incríveis melodias durante o solo, no mesmo nível de suas composições escritas com grande influência de pianistas de blues, musica latina e funk. Silver foi possivelmente o mais prolífico compositor de Hard Bop da história do Jazz, tendo suas canções gravadas por mais de 28 anos pela gravadora Blue Note, o que resultou em 28 albuns.
Como compositor vale a pena ressaltar suas composições: Nicas Dream, Doodlin’, Peace, Song for my Father, Señor Blues. Silver continua na ativa até hoje, apresentando ocasionalmente em concertos e tournées.
Discografia Básica:
-
Horace Silver and the Jazz Messenger com Art Blakey
-
Horace-Scope –1960
-
Song For My Father – 1964
MAX ROACH (Baterista e Band-Leader)
Nascimento: 10/01/1924, em New Land, NC.
Max Roach foi um dos mais influentes bateristas da história do jazz. Foi um dos fundadores do estilo Bebop, e tocou com os músicos mais importantes do jazz moderno como Charlie Parker, Dizzy Gilespie, Miles Davis, John Coltrane, Thelonius Monk, Sonny Rollins, entre outros. Participou em gravações de pelo menos três estilos do jazz moderno - bebop, cool e hard bop - ainda continua na ativa no cenário jazzístico.
Roach é filho de uma cantora gospel. Começou a tocar bateria aos 10 anos de idade e depois foi estudar música na Manhattan School of Music. Aos 18 anos, começou a tocar no Minton’s Playhouse e Monroe’s Uptown House, onde teve a oportunidade de acompanhar Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Sua primeira gravação foi com o quinteto de Gillespie em 1943, uma das primeiras gravações do bebop. Pelos anos de 1945 Roach já era considerado um superstar e um dos mais requisitados bateristas de jazz. Nesse mesmo ano, juntou-se com o quinteto de Parker, e se apresentou em shows e gravações até 1953, participando da melhor fase do pai do bebop. Roach, juntamente com o baterista Kenny Clarke, participou de outro movimento do jazz moderno, o Coll Jazz, gravando e excursionando com o grupo de Miles Davis.
Em 1950 formou um quinteto em Los Angeles com o trompetista Clifford Brown. O quinteto executou várias das mais definitivas gravações do período de 50, que são consideradas o início do hard bop. Com a morte trágica de Clifford em um acidente de carro, Roach fica muito abatido e quase dá um fim no quinteto; com a entrada do trompetista Lee Morgan o grupo continuou na ativa até 1950.
Roach começa a se envolver com os direitos civis americanos, onde conhece a ativista e cantora Abbey Lincoln, com quem esteve casado no período de 1962 a 1970. Durante esse tempo compôs e gravou a suíte We Insist: Freedom Now Suite, com Oscar Jr. Esta peça foi dedicada ao movimento de Liberação dos Negros na América.
Em 1970 Roach fundou um grupo de performance contendo dez percussionistas, o M’Boon. Esse grupo incorporava linguagens e timbres de música clássica contemporânea em suas performances. Depois desse período Roach começa a se interessar por música de vanguarda e na década de 80, monta o grupo Uptown String Quartet com sua filha Maxine tocando viola. Roach continua tocando jazz atualmente em gravações e tournées, e trabalha como professor no departamento de música da Universidade de Massachusetts, passando para seus alunos a experiência de ter sido parte da historia do Jazz moderno como um dos principais baterista em quatro estilos diferentes: Bebop, Cool, Hard Bop e Vangurda.
Discografia Básica:
-
We Insist: Freedon Now Suite
-
The Max Roach 4 Plays Charlie Parker